segunda-feira, 5 de março de 2012

O que é morrer hoje em dia.

humberto o sousa



Você sabe o que é pânico?
Eu sei, pois a única coisa que me restou foi ele.
Belo dia, digo noite, estou para me deitar, sento-me na beirada da cama, tiro os chinelos e começo a deitar, a cabeça procurando o travesseiro para o merecido descanso e então acontece. Apaguei.
Não foi um simples desmaio. Apaguei mesmo. Perdi toda a noção de meu corpo e de minha mente. Não havia nada.
O nada é incrível. Sem luz ou escuridão, calor ou frio, dor ou prazer. Nada. Estas coisas simplesmente não existem no nada. Nem o nada existe no nada, pois para não haver nada algo deveria estar ocupando o lugar antes.
Então apareceu no nada uma longa planilha eletrônica feita no Excel. Eu não estava simplesmente vendo a planilha, eu era a planilha. Em frios números eletrônicos estava registrada toda a minha vida: onde errei e onde acertei, onde chorei e fiz chorar, onde sofri e fiz sofrer.
Aos poucos até mesmo a sensação de ser somente uma planilha foi esvanecendo, apagando, fui perdendo a noção de compreender o que eram aqueles números, o seu significado. A memória do que eu era, minhas emoções e meus desejos se foram, só restou o medo absoluto, o pânico, do nada.
Em algum lugar apareceu uma tarja com os dizeres “O Humberto não está respondendo. Você deseja:
  • Encerrar o programa;
  • Reiniciar o programa;
  • Aguardar o programa responder.”
Em meu pânico supremo eu grito para Deus aguardar.
Então estamos aguardando, eu e Deus, o programa voltar a responder.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Argumento para filme de Kung Fú

 

humberto  o sousa

 

Outro dia estava discutindo com um amigo meu, o Nelsinho, sobre a babaquice de uma história que ele estava escrevendo, totalmente sem noção. Era sobre vampiros que começaria com esta pérola: “… e como uma gazela saltitante ele pulou sobre a sua vítima.”. Eu argumentei que um vampiro jamais se comportaria como uma gazela saltitante por mais viadinho que fosse, ele respondia que era para ser totalmente sem noção mesmo. Lembrei-me que também já havia escrito uma merda no mesmo estilo, então resolví colocá-la aqui, eu a acho divertida, espero que quem ler também goste.

 

Argumento para filme de Kung Fú


A história se passa na época do Imperador Qin.
Um de seus principais generais, Fúmanchu caiu em desgraça porque estava fumando muito ópio, e foi exilado no deserto de Gobi e lá se casou com uma princesa mongol chamada Ka Ba Soo.
O casal teve três filhos: Tii Fú, Lee Fú e o caçula, nascido na época das vacas magras, Sii Fú.
O pai adestra-os na arte da guerra tornando-os exímios espadachins.
Quando o jovem Sii Fú completa dezesete anos o pai adoece e vislumbrando a morte que se aproxima manda chamar os três filhos e lhes pede para viajarem à capital e se porem ao serviço do Imperador Qin, servirem-no com coragem e lealdade e resgatar a honra da fámilia. Dois dias após, o velho Fú morre.
Então os irmãos partem em uma jornada épica, lutando e derrotando salteadores de estrada, taberneiros ladrões e xanas sedentas.
Ao chegarem à capital notam que a fama os precedeu e são levados imediatamente ao palácio Imperial.
Em audiência com o Imperador informam-no do falecimento do pai e o seu último pedido, então este lhes propõe um teste: há na fronteira sul do império uma montanha há, em seu cume, uma caverna onde mora um dragão feroz, chamado Pu'm Long que assola as vilas da região, queima as plantações e sequestra todos os jovens abaixo de vinte anos, que nunca mais são vistos, se eles derrotarem-no serão admitidos no serviço das tropas imperiais, desde que não fumem ópio.
Partem em outra jornada épica, lutando e derrotando mais salteadores de estrada, mais taberneiros ladrões e duas vezes mais xanas sedentas.
Ao chegarem ao pé da montanha do dragão descobrem uma taverna, A Rosca Queimada, e resolvem comer algo, beber alguma coisa, descasarem e colherem informações.
O proprietário, atende a todas as necessidades dos herois, dando-lhes, inclusive a sua famosa rosca, mas aconselha que eles bebam o máximo possível para enfrentar Pu'm Long. Tii Fú desdenha do taberneiro, Lee Fú toma somente um jarro de bebida e somente Sii Fú aceita o conselho e toma meio tonel de vinho de arroz, ficando tão bêbado que os irmãos mais velhos tiveram que arrastá-lo montanha acima.
Ao chegarem no topo, avistaram, há uns trinta metros, a entrada negra e fedorenta, cheirando a peixe e a queijo gorgonzola, da gruta do dragão, então Tii Fú, por ser o mais velho, espada em riste, é o primeiro a atacar, mas não chegou a dar dez passos em direção ao buraco mal cheiroso e a espada quedou no chão, inerte, então ele dá meia volta e saí correndo a toda velocidade em direção ao sopé da montanha.
Então Lee Fú, o segundo mais velho, saca a espada, dá um grito furioso e parte para o ataque, conseguindo chegar até a entrada do fétido buraco, mas ao ter um vislumbre do dragão, sua espada amoleceu e apontou para o chão, então deu meia vota e seguiu seu irmão mais velho.
Sobrou então para o pobre Sii Fu, que de tão bêbado nem sacou a espada, iria enfrentar a fera no corpo a corpo mesmo. Depois de duas horas e meia de luta, marcada por ataques e recuos, idas e vindas, alternando ora ele por cima do dragão, ora por baixo, Pu'm Long soltou um longo suspiro e caiu desfalecido pelo cansaço e, só então, nosso heroi sacou a espada e cortou-lhe a cabeça, embrulhou em sua túnica, pegou o cavalo e galopou até a capital, entregando a cabeça ao Imperador.
Como recompensa recebeu a mão de uma das filhas do Imperador e uma província para governar.
É dai que vem o ditado: não existe dragão feio, você é que bebeu pouco.

sábado, 13 de agosto de 2011

Mal entendido

humberto o sousa

Claro que aquilo tudo era pura bobagem. Onde já se viu dizer que mulheres teriam direito a alguma coisa. Só não me levanto e vou dar uns tapas nesta dona porque sou educado. Pela aliança na mão esquerda deve ser casada, o marido desta vaca é um frouxo. Eu deveria é ir embora. Mas tudo bem fico e escuto esta conversa fiada.

Lá em casa o papo é outro. Primeiro foi a Djanira que começou a reclamar que estava insatisfeita sexualmente, eu não fazia gozar e tal, dei-lhe uma surra e coloquei ela na rua. Não sou homem de viver com vagabundas.

Depois a Vilma. Previdente, como sou, mantinha ela trancada em casa. Vá lá saber se ela era vagabunda que nem a outra? Belo dia cheguei e ela havia sumido, arrombou a janela e fugiu. Acertei, era vagabunda que nem a outra.

A última, a Socorro, parece que eu tinha finalmente acertado. Era do interior de Minas e veio para cá sozinha para trabalhar. Começamos a morar juntos e ela tinha como único objetivo me satisfazer e eu era feliz. Um dia cheguei em casa e ela estava lá no sofá segurando a mão de um rapaz. Não pensei duas vezes, tirei o revolver da cintura e matei os dois. No momento havia um carro de polícia passando, e ao ouvir tiros foram investigar, acabei preso em flagrante. Na delegacia aleguei defesa da honra. O delegado me mostrou então os documentos das “vitimas”, ele falava “vitimaas” com a boca cheia, e eles eram irmãos.

Não basta estar sendo julgado por um simples mal entendido ainda tenho que ficar ouvindo desaforos desta tal de promotora. Só não levanto e dou uns tapas nela porque sou educado...

sábado, 26 de março de 2011

O dono

humberto o sousa


Eles cinco, quando um professor separou a classe em grupos aleatórios para execução de trabalhos no primeiro dia de aula na faculdade, foram escolhidos para ser Grupo III e acabaram se tornando amigos. Eleninha, Claudia, Maria Inês, Carlos e Janjão (que era Antonio Pedro, mas tinha cara de Janjão, o que quer que isso se pareça).
A amizade deles foi ficando cada vez mais sólida por um motivo bem simples, apesar de viajarem sempre juntos para a praia, apartamento dos pais da Eleninha, ou passarem férias no sítio da família do Janjão, os rapazes nunca deram em cima das moças, a Eleninha era um tribufu, mas as outras duas eram de parar o trânsito. O restante dos colegas de classe chegaram a comentar que os dois não cantavam elas por estarem ocupados demais um com o outro, o que as três amigas reputavam à inveja.
Até a monografia de conclusão de curso, que era para ser feito em duplas e um deles ficaria sobrando, resolveram fazer individualmente e na verdade o que fizeram foram cinco monografias, sobre cinco temas diferentes, em grupo.
Depois de formados foram perdendo contato um com o outro, cada um constituindo família e investindo na carreira profissional, por falta absoluta de tempo.
Cerca de dez anos após a formatura, a Eleninha, que estava de casamento marcado, resolveu procurá-los um a um, pedindo endereço para mandar o convite. Conforme ela ia fazendo contato ia divulgando o telefone e endereço dos outros participantes do Grupo III, que voltaram a conversar e resolveram de comum acordo jantarem em uma churrascaria para comemorarem o reencontro. Poderiam levar os maridos e esposa, no caso de Carlos, Eleninha levaria o noivo e o Janjão levaria a atual namorada.
No dia e local marcado todos chegaram no horário. No início houve certa inibição, talvez por haver pessoas estranhas ao grupo, mas após as primeiras rodadas de chopes a intimidade do grupo foi retornando e até os “estranhos” sentiram que estavam entre amigos de longa data.
O problema começou quando o Carlos parou de tomar chope e passou a tomar caipirinhas como se fosse água, ficando completamente embriagado. Sua esposa começou a ficar incomodada e demonstrou irritação, nada adiantou, então resolveu partir para o bom humor, mais por vingança do que outra coisa (o ano anterior havia sido excelente para ambos e conseguiram antecipar o pagamento de seis anos do financiamento da casa própria, quitando-a. Nas festas de fim de ano ela estava tão feliz que ficou totalmente bêbada, acordando no dia seguinte com a bunda ardendo, comentou com o marido que respondeu na maior cara de pau: “Comi tua bunda. Cú de bêbado não tem dono mesmo”), e fez o fatídico comentário: “Carlinhos, meu amor, não esqueça que cú de bêbado não tem dono”, dando em seguida uma risada nervosa. A resposta de Carlos é que acabou com a festa, e também com o casamento : “Cê que pensa que não tem dono, né Janjão”.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Retorno

humberto o sousa 

 

... teoricamente falando, claro. Eu meditei bastante e cheguei à conclusão que a vida é uma grande merda. Veja você que coisa esquisita, quando era garoto conheci uma menina horrível, gorda, cheia de bereba no rosto, mau hálito e dentes todos tortos. Ela falava para todo mundo que era apaixonada por mim e, lógico, eu morria de vergonha, mas nunca a destratei. Quando havia uma festinha qualquer eu sempre dançava uma ou duas músicas com ela para que se sentisse feliz. Uma semana antes do “grande evento” – você já deve estar cansada de ouvir esta história, mas vou continuar contando mesmo assim – fui ao meu banco renegociar um empréstimo e quem que era a nova gerente? Não precisa responder. Era ela. Como era da minha idade deveria ter uns quarenta e cinco anos, mas não aparentava mais de trinta. Eu não a reconheci de imediato, na verdade ela que me reconheceu e disse quem era. Estava linda, com o corpo perfeito, solteira e desimpedida, almoçamos juntos naquele dia e nos encontramos mais duas vezes antes de irmos para o motel, justamente no dia do “grande evento”.

- Por outro lado, casei-me com a mulher mais linda e meiga que já havia visto na vida, e quinze anos depois estava gorda, relaxada e rabugenta. Não diga que eu não a deixava trabalhar e fiz três filhos nela, não é esta a questão, os motivos não importam o que importa são as voltas que o mundo dá, ou dava.

- No dia do “grande evento”, depois de uma tarde maravilhosa passada no motel, voltei para casa e começou o inferno. Minha esposa queria saber aonde eu tinha tomado banho, o cheiro de sabonete e meus cabelos ainda úmidos não me deixariam mentir, então peguei o carro e saí. Entrei no primeiro bar decente e bebi, bebi, bebi. Bebi tanto que nem me lembro como cheguei aqui. Quando acordei e vi estas paredes brancas e esta luz intensa, mas que não fere os olhos, pensei que estava morto. Depois você entrou e começou a aplicar-me injeções, pensei que estava em um hospital. Só comecei a desconfiar de que não era uma coisa nem outra quando te reconheci. Você é uma mistura das duas: uma quando jovem e a outra já madura. Você é a mistura dos dois grandes amores da minha vida que somente poderia ser forjada pelo meu espírito e...

Neste momento ouviu claramente em sua mente um aviso curto e seco, mas de uma voz amiga e apaixonada: “Chegamos”.

Há certo tempo, ele e sua nave, foram atacados por três espaçonaves desconhecidas quando estava tentando fazer contato. Dispararam uma salva de mísseis atômicos e, se não fossem as paredes de mais de quinhentos metros a sua nave seria fatalmente destruída, fugiram. Os danos foram imensos e ele não poderia seguir os agressores, mas enviou uma sonda para acompanhá-los sem ser notada enquanto a sua nave se auto reparava. Duas semanas atrás finalmente recebeu uma mensagem comunicando o destino das tais neves, uma estrela a uns dez anos luz de distância e seguiu para lá e agora chegaram.

A sonda começou a enviar-lhe imagens. No princípio ele não acreditou, mas aqueles anéis eram inconfundíveis e depois a Grande Mancha Vermelha ainda estava no equador do maior planeta do sistema.

Uma lágrima lhe escorre pelo rosto. Após oito mil anos sem ver um rosto humano de verdade ele teria que destruir toda a humanidade. A missão daquela nave, e dele como seu único ocupante, era destruir as raças agressoras que porventura saíssem de seus planetas.

humberto.sousa@etec.sp.gov.br

terça-feira, 1 de junho de 2010

Circulo de sombras

humberto o sousa

Houve um tempo, antes do tempo, em que ele não existia, mas a partir da criação do tempo, ele tinha consciência de todas as suas vidas. Estas recordações não surgiram simplesmente. Foi um processo doloroso e difícil que levou muitos anos de sua confusa vida.

Quando ele tinha nove anos incompletos começou a ver sombras tênues, mas somente com os cantos dos olhos, que circulavam ao seu redor, rente ao chão, e que pareciam que se afastavam medrosas ao seu avanço, procurando sempre manterem uma distância fixa entre elas e seus pés.

A partir do momento que ele começou a ver-las, as tais sombras, houve uma mudança significativa em sua vida, os garotos que o importunavam e o agrediam por causa de sua gagueira, passaram e evitá-lo, muitos, até, desviavam a vista quando ele os olhava querendo saber o que estava se passando, afinal, apesar de tudo, eles eram as únicas crianças que falavam com ele ou o tocavam, mesmo sendo somente para xingá-lo e socá-lo.

Com o passar do tempo, à medida que se acostumava com a solidão, também as sombras foram tornando-se mais nítidas, ele quase as podia ver olhando diretamente para elas, ou para ela, pois, se antes ele via diversas siluetas separas, agora ela tomou a forma de um sólido anel, ou antes, uma serpente que engolia o próprio rabo, e não passava mais a sensação de fuga medrosa ao seu avanço, mas uma barreira de proteção entre ele e o mundo exterior.

Sempre ouvirá falar de anjos da guarda, e ele era uma das poucas pessoas do mundo que conseguia ver o seu, o que mais poderia ser se não um anjo que, desde a sua chegada, ninguém o agredia mais, nem mesmo o pai, que passará a ter uma expressão medrosa à sua presença. Ele morria de rir internamente quando ouvia as pessoas ignorantes dizerem que os anjos eram seres de luz, na verdade era o contrário, eram seres de trevas e sombras que não voavam com suas asas brancas, mas rastejavam aos pés dos mortais.

Ao completar vinte anos, o pai em um acidente besta, daqueles que só acontece uma vez a cada milhão de anos, engasgou ao tomar um copo de vinho e, ao tossir descontroladamente, estourou parte do intestino, morrendo três dias depois de infecção generalizada, fedendo à merda e carne podre. Assumiu a pequena mercearia da família, e descobriu seu verdadeiro dom: ganhar dinheiro. Cinco anos depois era o proprietário de uma rede de doze supermercados, que lhe rendiam dinheiro suficiente para saciar seus vícios sexuais, fosse com homens ou mulheres, nunca ambos, que lhe foram surgindo ao longo do processo de ficar rico.

Somente havia uma pessoa próxima a ele, Clara, a governanta de sua residência. Nela ele via uma tênue linha negra circundando-a, que se encolhia toda quando ele se aproximava. Ela o ajudava a encontrar parceiros, depois lhes providenciava socorro médico e distribuía gratificações generosas para que se calassem. Quando não havia ninguém, ela mesma se submetia, apesar de ele não gostar muito, não enxergava terror nos olhos dela, somente prazer.

Certa noite ele sonhou que uma figura se destacava de sua sombra companheira, vestia-se como legionário romano, feições indistintas. A figura avançou em sua direção e penetrou em seu corpo e ele deixou de ser ele mesmo e passou a ser o legionário em pleno campo de batalha, ouvindo os gritos de seu general, Varus, que a cavalo, desfilava entre os soldados, incitando-os a tomar a aldeia alemã fortificada. Ele sentiu a alegria da vitória, gozou com a ordem para o saque, sentiu prazer ao violentar uma garotinha de uns oito anos que depois matou a dentadas.

Ao acordar ele tomou consciência de que aquela vida, a do legionário, foi a dele e o desejo de reviver aqueles atos foi maior do que todos os desejos que já sentirá em toda a vida.

No caminho de volta do trabalho, em um sinal fechado, uma menina bate no vidro de sua janela perguntando se ele queria comprar balas, ele sente um formigamento nos testículos. Ele tinha que possuir aquela menina e tudo o que aconteceu depois foi como se estivesse sendo dirigido por uma entidade maior e ele estivesse em meio a um sonho. Pergunta quem a está acompanhando e ela responde que a mãe e o irmão mais velho e ele pede que ela fosse chamar a mãe enquanto ele estaciona e a mãe vem e ele diz para a mãe que o filhinho dele que está fazendo aniversário e que está muito doente e ele iria comprar um bolo para ele e talvez fosse o último bolo de sua curta vida e se ela com os filhos não gostariam de ir cantar parabéns para o filhinho querido dele e ele depois os levaria para casa e lhes pagaria cem reais o que ele não podia deixar de fazer era dar esta última alegria para o filho e eles mãe e filhos entram no carro e ele se dirige para o seu sítio que era isolado e o caseiro morava distante e não ouviria os gritos liga para a Clara pelo celular e fala que está indo para o sítio “comemorar o aniversário do filho” e era para ela ir para lá imediatamente quando eles chagam no sítio ele abre a porta e pede para que a mãe entre primeiro com os filhos e na hora que ela lhe vira as costas ele lhe dá um violento soco nos rins e ela se dobra toda e ele lhe dá uma joelhada no rosto e os filhos ficam estáticos sem entender o que está acontecendo e ele pega as crianças pelos braços e os amarra na sala volta para a mãe e a arrasta para um dos quartos e a amarra na cama volta para as crianças e pega a menina e a esbofeteia e a arrasta para outro quarto onde também a amarra e volta para sala para cuidar do garoto e quando Clara chega ele está saciado, mas o garoto está morto e Clara não demonstra surpresa mas sim excitação e se dirige para o quarto onde está a garota e ele lhe grita que a garota e dele e lhe aponta o outro quarto e então ele dorme e sonha agora que é um frade espanhol do início da exploração das Américas e que em nome de nosso senhor Jesus Cristo que nome abominável pratica as maiores torturas contra os nativos da América Central e ele acorda tendo novos desejos sem saber quanto tempo havia dormido e o garoto morto já não estava mais lá e ele se levanta e vai procurar Clara e a encontra totalmente nua de quatro com uma das mãos ela manipula um enorme cassetete enfiado no próprio anus que sangra e a outra mão manipula um alicate nos dedos da mulher e Clara está com a cabeça enterrada entre as pernas da mulher e ele vê que a sombra que circunda Clara não é tênue e fina mas tão grossa e espessa quanto a sua e não se contrai com a sua aproximação mas avança em direção dele e se enrola em seu próprio circulo sombrio e ambas as sombras enrodilhadas em uma só lhe abrem passagem para que ele alcance a cama e Clara tira o rosto de entre as pernas da mulher que está desmaiada e sua boca esta ensangüentada ela havia acabado de comer a vulva da mulher e lhe sorri um sorriso que todos considerariam de uma loucura insana mas para ele foi o mais doce dos sorrisos e ele se apaixona sabendo que passaria o resto da eternidade ao lado dela com seus anjos da guarda enroscados lhes servindo de escudo e ele lhe beija a boca ensangüentada e ela lhe mostra um prato de carne cozida ao lado da cama e ela lhe conta que cortou um pedaço da criança morta cozinhou e deu para a mulher comer e depois lhe contou que era carne do próprio filho e ela não agüentou e desmaiou e ele lhe fala para esperarem ela acordar para poderem juntos se divertirem com ela e depois irem cuidar da menina e então ele houve o barulho de porta sendo arrombada pessoas correndo e então vê policiais vindo na direção deles e ...

O que ele não sabia era que o caseiro havia ido à cidade no dia anterior, tomou umas a mais e acabou dormindo por lá mesmo e, ao voltar, virá os carros do patrão e de Dna. Clara em frente à entrada da casa e resolveu dar uma olhada pela janela da cozinha para ver se estava tudo bem, se eles precisavam de alguma coisa, e o que viu vez com que saísse correndo, vomitando, de volta para a cidade para avisar a polícia.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carta de despedida

Lapiseira

John, foi bom enquanto durou todo o nosso amor!

Recordo a primeira vez em que você me pegou, abriu meu buraquinho e xuxou todo o teu grafite, preenchendo todo o meu ser, e me pressionou inexperientemente com toda a força em teu caderno. Lembro, ainda, de como você foi o primeiro a desnudar o meu fundinho para apagar tudo o que errou.

Infelizmente, para você, conheci alguém mais interessante, que me pega mais de jeito.

Vou-me embora para a casa desta pessoa. Ela precisa de alguém como eu, dedicada e fiel, para ajudá-la à se formar em Psicologia.

Finalmente serei reconhecida e bem utilizada.

Beijos

Lapiseira do John

(Ou melhor: a ex-Lapiseira do John)

(bilhetinho, de autoria anônima,  deixado no caderno de um amigo meu, que gentilmente repassou-me para que eu o editasse e publicasse aqui. humberto o sousa).

 

falo o que penso: Carta de despedida